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Nos últimos anos vêm despontando no Brasil grandes talentos da música evangélica. Eles têm buscado e alcançado a excelência. Certamente que em nenhum outro tempo da nossa história pudemos louvar e adorar a Deus com tanto entusiasmo, beleza, qualidade e profundidade.
Há poucos anos atrás ouvíamos e cantávamos as músicas aprendidas dos missionários, que alcançaram a nossa pátria com o Evangelho e nos invadiu com a sua cultura. Louvamos a Deus por cada uma destas vidas dedicadas, fiéis. Louvamos especialmente pela verdade do Evangelho a nós revelada por seu intermédio. Longe estou de querer mostrar ingratidão para com o seu labor. Entretanto, penso que por vezes eles acrescentaram à mensagem do Evangelho um pouco da sua cultura, nos ensinando como sendo uma única coisa. Nós, ainda hoje, temos dificuldade para despir a imutável verdade do Evangelho da roupagem cultural que lhe vestiram. Como a música sempre acompanha a pregação da Palavra, esta foi uma das áreas mais influenciadas. Grande parte das músicas que cantamos e dos estilos que utilizamos por anos a fio, vieram acompanhando os desbravadores missionários. Porém, hoje, com esta explosão de talentos, já ouvimos e cantamos as nossas próprias músicas. Já louvamos e adoramos a Deus de maneira toda nossa. Desenvolvemos o nosso próprio estilo e até já temos exportado as nossas músicas. Fizemos, sem sombra de dúvida, um grande avanço nesta área, até ao ponto de sermos, ou estarmos nos tornando o celeiro mundial e polo irradiador da adoração a Deus através da música. Na proporção inversa, porém, a área literária pouco avançou. Conquanto sejamos o celeiro da evangelização mundial, ainda necessitamos importar literatura (de muitos que só possuem nome e diploma e não mais o poder, a unção e a graça de Deus), para nos ensinar e instruir sobre o caminho que devemos andar. Ainda que não desprezando a contribuição que os estrangeiros nos deram neste sentido, está na hora de mudarmos, passando a valorizar e a incentivar a literatura nacional. Afinal, temos competentes pregadores, teólogos, mestres e escritores. Este é um aspecto do evangelicalismo brasileiro que devemos estar conscios. Especialmente se observarmos que as editoras atuantes no Brasil dedicam mais da metade do seu volume de publicação à tradução de autores estrangeiros. O pequeno espaço que ocupa o autor nacional no acervo disponível em livrarias evangélicas. A falta de incentivo por parte das nossas lideranças visando florescer e despontar mentes literárias capazes de preencher esta lacuna. E a falta de interesse dos fiéis para com a leitura, o saber, a cultura e a instrução. Costumamos seguir a tendência secular de investir muito em música, construção de soberbos edifícios e realização de grandes movimentos de massa, como se isto fosse suficiente para atrair e manter o povo na fé. Minha expectativa é que o que aconteceu com a música, venha a acontecer também com a literatura. Tenho a convicção de que este ministério literário, tendo a mesma unção e poder de Deus demonstrados na adoração, venha reverter este quadro que clama. E sei que talentos não faltarão. Devo registrar que algumas editoras brasileiras tiveram a iniciativa e proposta de publicar exclusivamente autores nacionais, e além de se tornarem pioneiras neste aspecto, demonstram o valor atribuído ao nosso país e a oportunidade que estão dando aos talentos nacionais. Que outras possam imitar esta iniciativa e o tempo confirme a certeza que tenho de que despontarão grandes e brilhantes mentes que, como na música, reverterão este quadro. Não desprezemos a literatura e o conhecimento dos nossos co-irmãos de outras nações, mas valorizemos os talentos que o Senhor Jesus tem dado a nós. Lembrando ainda que a adoração agradável ao Senhor não consiste nos cânticos que lhe entoamos, mas na vida santa que lhe consagramos. Jair Leal Artigos mais atuais:
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